Fui demitido e agora, O QUE NÃO FAZER?

Publicado em 12 de novembro de 2018

Ainda vivemos o cenário de oportunidades de empregos em baixa e estresse em alta. A crise política, moral e econômica, sem precedentes, tem nos exigido paciência, nervos de aço, resiliência e, sobretudo, fé sempre, pois se essa nos faltar…

Observo pessoas que justificam suas inações em função do governo, crise, etc. Existem algumas outras que apesar do cenário, continuam seguindo em frente empreendendo ações pró seus objetivos com persistência, resiliência, fé em si e nos resultados que obterão. 

O cenário inicial: Um dia você chega à empresa, seu chefe te aguarda logo cedo e lhe dá a notícia: você está demitido ou ao abrir seu e-mail, depara-se com a seguinte mensagem: a partir desta data, a empresa não conta mais com seus serviços, por favor, dirija-se ao RH.

E agora? Como reagir a uma demissão inesperada?

O fator surpresa e o impacto da notícia são grandes. Na incerteza de seus sentimentos e reações, vá a um local reservado e recupere-se do susto. Posteriormente converse com parentes ou amigos e mantenha a calma, na medida do possível.

Uma pessoa emocionalmente desestruturada perde a razão e reage irracional e impulsivamente. Fato esse disfuncional em 99,5% dos casos. Controle-se e não fale ou tome nenhuma atitude impulsiva na empresa ou com seu chefe, da qual venha a se arrepender e que lhe traga prejuízos futuros. Lembre-se, o mundo é pequeno e dá muitas voltas. Nunca se sabe se um dia surgirá uma nova oportunidade na mesma empresa ou se não encontrará seu chefe em outro lugar. Atualmente, com as fusões ocorrendo frequentemente, a probabilidade de isso acontecer é alta. Portanto, seja profissional, racional e moderado ao falar sobre seu antigo empregador.

É esperado que o profissional demitido peça explicações. Demissões podem ocorrer em função do profissional estar estagnado; não dar manutenção à sua rede de relacionamento profissional; relegar sua imagem, atitudes e comportamento ao segundo plano; não expressar consistentemente suas competências ou ignorar a hierarquia e política corporativa.

Você deve avaliar as razões que geraram sua demissão para fazer as correções necessárias, principalmente às atitudinais. Para tanto, exerça seu direito e crie espaço para conversar com seu chefe sobre o que motivou sua demissão. Lembre-se que a demissão para o demitido tem sempre uma razão de ser.

A demissão aparentemente inesperada, provavelmente, tem sido sinalizada há tempos, mas não necessariamente percebida pelo profissional. Geralmente ocorrem dois tipos de sinais: Fatores inerentes à empresa (mercado, crise, concorrência, redução de custos, baixo faturamento ou encerramento das atividades) e sobre os quais não se tem controle. Na sequência, estão os fatores inerentes ao indivíduo e seu comportamento, que são os mais comuns de ocorrerem. Em Recursos Humanos afirma-se que, os profissionais são admitidos por suas competências técnicas e demitidos por seu comportamento.

O comportamento do profissional pode produzir um clima organizacional conflitivo, desconfortável ou ruim, em decorrência da forma como ele trata seu líder, pares, subordinados ou mesmo clientes, causando danos, às vezes, irreparáveis à imagem da empresa.

É importante lembrar que ao ingressar em uma empresa assume-se responsabilidades e compromissos com: acionistas, líderes, pares, subordinados, clientes, fornecedores, governo, meio-ambiente, mídia, etc. Falhar no atendimento a uma delas significa que não está performando conforme o esperado e/ou contratado pela empresa. Se você acredita que o seu compromisso é apenas técnico e com seu chefe, sugiro que reflita e mude sua visão ou prepare-se para cometer a mesma atitude disfuncional em seu futuro emprego.

Existe ainda a possibilidade do profissional ser demitido por falta de: foco, procrastinação, competência técnica defasada, por não atingir os resultados esperados devido à desmotivação, baixa energia, desinteresse ou pela mais pura acomodação (zona de conforto), seja ela consciente ou não.

Pós-demissão a primeira atitude imediata e positiva é extravasar suas emoções negativas e disfuncionais na privacidade e segurança de seu lar. Uma vez desopilado, é hora de agir sobre o seu emocional. Assimile o golpe, a nova realidade e energize-se para seguir em frente em busca de um novo emprego. A vivência de ser demitido é desconfortável e pode causar um baque e uma tristeza profunda ou mesmo um trauma que desencadeie a depressão em alguns.

Superada a fase inicial, chega a hora de fazer o que tem que ser feito e não apenas o que você gosta ou lhe dá prazer, considerando que seu FOCO seja buscar uma nova oportunidade de emprego. Questione-se: O que eu quero agora? – Defina seus alvos (quais ambientes, pessoas e atividades lhe são inspiradoras), prepare o melhor CV que já teve, atualize suas redes sociais (Sites Job Posts – Elancers, Linkedin, Indeed), esteja atento às oportunidades, invista fortemente em networking e prepare-se para enfrentar as futuras entrevistas.

Algumas pessoas quando empregadas não se preocupam em fazer um planejamento financeiro para o caso de uma demissão inesperada. Se você se identifica com esse cenário, aja com cautela, redimensione e priorize seus gastos. 

Atitudes disfuncionais pós-demissão

Em momentos difíceis da vida, manda o bom senso, fazer escolhas inteligentes e cuidar de sua reputação. Esteja atento a algumas atitudes comuns e potencialmente disfuncionais que podem macular sua imagem profissional, sabotar suas ações e colocar tudo a perder.

Desabafar com as pessoas erradas

Após a demissão é natural e saudável reagir, seja: xingando, esbravejando ou chorando, desde que se exponha com pessoas de sua confiança.

Por outro lado, reações desesperadas e raivosas, no ato da demissão e diante dos colegas, chefes ou RH, são impróprias, pois comprometem a sua imagem profissional e não reverterão a situação.

Criticas ácidas ao seu ex-chefe/ empregador

Por pior que tenha sido o cenário de seu desligamento, acredite, não compensa “perder a cabeça” e tecer críticas ácidas sobre o assunto e seus envolvidos ao mercado de trabalho.

Quanto mais profissional, discreta e assertiva for sua postura em eventos de networking, reuniões de negócios ou entrevistas de emprego, melhor. Do contrário, agindo emocionalmente, pode gerar desconforto e desconfiança em seus pares e potenciais empregadores. Tendem a fazer uma livre associação e pensar que você também pode falar mal deles no futuro, quando houver uma divergência de opiniões ou um conflito. 

Férias não planejadas

Descanse o necessário, mas evite período prolongado de férias. Pós-demissão, a prioridade para quem quer realmente se recolocar o mais breve possível, é entrar em ação já!

Demorar a aceitar e reagir à realidade é tão disfuncional e arriscado quanto se antecipar a ela. Longos períodos de afastamento do mercado de trabalho podem gerar isolamento e desatualização. Exceto se você tiver programado um intervalo em sua carreira (período Sabático), o mais adequado é voltar o mais breve possível ao mercado.

Para evitar o relaxamento, desmotivação e não perder o ritmo é positivo e funcional definir e manter uma rotina disciplinada de atuação pró sua recolocação, até que consiga uma nova oportunidade. 

Aceitar o que vier sem critérios

Para quem não sabe o que quer, nem vento a favor ajuda, pois não consegue reconhecê-lo como tal.

É fundamental definir claramente os critérios para sua busca de recolocação, tais como: (posição, empresa, segmento de atuação, cultura, localização, salário, benefícios, etc). Essa atitude assertiva evitará uma frustração futura.

Exceto sua situação financeira exija uma recolocação imediata, o melhor é esperar, planejar calmamente os próximos passos e ações, antes de aceitar o primeiro emprego que surgir e se arriscar a fazer escolhas erradas.

Usar sua rede de contatos de forma indiscriminada

Resistir à realidade não fará bem a você e muito menos, omitir o fato de que você está desempregado, não ajudará na superação dessa fase. Quanto mais pessoas souberem que você está disponível no mercado, melhor!

Mas cuidado com a ansiedade. Não saia ligando e mandado e-mails para todos os seus contatos, desesperadamente. Aja com foco e critério, organize sua rede em uma planilha e acione somente os que têm potencial para ajudá-lo.  

Omitir a demissão em sua trajetória

Ocultar o fato de que você foi dispensado, é uma atitude desonesta e inútil. O mercado é um organismo vivo e dinâmico. As pessoas estão sempre em contato e assim, conseguem desmascarar rapidamente uma mentira como essa. Uma postura funcional e adequada é dizer a verdade sobre a demissão, enfatizando o aprendizado adquirido para o seu desenvolvimento profissional.

Um erro comumente observado é “esquecer” intencionalmente de atualizar esta informação no Linkedin. A atitude de “esquecer” o emprego passado no perfil como se fosse atual, é vista com maus olhos pelo mercado. Escolha a verdade e mantenha seu perfil sempre atualizado. 

Perder as esperanças

Frente aos desafios cotidianos que enfrentamos perder a esperança e a fé, não são opções a considerar, acredite!

Defina seus objetivos, entre em ação e persista até conseguir.

Chegar à final e não ser o escolhido em alguns processos seletivos, não significa que fracassou e sim, obteve apenas derrotas temporárias. O fracasso só ocorre quando você desiste de lutar.

Em um cenário econômico recessivo é natural encontrar dificuldades para conseguir um novo emprego. A atitude funcional para não se deixar abater ou vencer pelo tempo é a resiliência.

Marcio Caldellas
Psicólogo clínico, Personal, Career & Executive
www.mccoaching.net







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