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O processo de Coaching: Uma jornada de transformações profundas!

Você já ouviu falar da Jornada do Herói? Todo processo de Coaching envolve uma jornada entre a zona de conforto, zona de tensão e zona de pânico do cliente. Entenda como na jornada do herói o individuo percorre essas três zonas.

O antropólogo Joseph Campbell ao estudar os mitos, identificou um padrão existente entre eles marcado por uma jornada cíclica. Esse padrão foi denominado a “Jornada do Herói”. A visão de Campbell traz consigo o conceito arquetípico elaborado por Jung. Se analisarmos as histórias de Prometeu, Osíris, Buda e Jesus Cristo podemos perceber uma estrutura comum que sustenta essas narrativas.

Ok! E você deve estar perguntando o que Coaching tem a ver com isso?

Posso responder que tudo. Algumas linhas da psicologia evidenciam que o ser humano busca sentido e que nessa jornada passa por obstáculos, desafios até conseguir atingir uma sensação de plenitude. Com a experiência dos atendimentos de Coaching fica evidente que existem alguns padrões em relação aos questionamentos de carreira e jornadas percorridas.

Assim, trago por meio de uma ilustração uma relação entre a jornada de herói e o processo de Coaching. Detalho abaixo cada uma dessas etapas.

Todo processo de Coaching envolve uma jornada entre a zona de conforto, zona de tensão e zona de pânico do cliente. A zona de conforto (como o próprio nome diz) é o ponto no qual a pessoa se sente confortável, segura e adaptada. O típico caso da pessoa que está em determinado cargo há anos e tem vontade de mudar, mas prefere não mudar porque já conhece a empresa, tem a confiança do gestor, salário garantido e etc… Ou seja, ela quer ficar na sua zona de conforto. A zona de tensão é o ponto em que a pessoa decide se movimentar, arriscar um pouco e partir em direção ao que faz mais sentido para ela. Já a zona de pânico é o ponto em que muitas vezes o individuo fica paralisado por não se sentir capaz de lidar com um desafio muito grande ou quando as pessoas o desencorajam dizendo: “Você está louco de fazer essa mudança!”?

Bom, agora vamos entender como na jornada do herói o individuo percorre essas três zonas. Um trabalho belíssimo da jornada do herói foi feito por Beatriz del Picchia e Cristina Balieiro na obra “O Feminino e o Sagrado – mulheres na jornada do herói”. Esse detalhamento tem como fonte o trabalho desenvolvido por elas.

1. O ponto 1 da jornada do herói é chamado de “Mundo Cotidiano”: aqui é a nossa zona de conforto, o mundo em que vivemos e atuamos normalmente.

2. O ponto 2 da jornada do herói é denominado “Chamada à Aventura”: aqui vivemos uma sensação de desconforto conosco e com a vida que estamos levando e percebemos que algo diferente tem que ser buscado, mesmo não sabendo ainda o que. Contudo, ainda estamos resistentes e nos falta coragem para atender esse chamado. Então, ficamos com “um pé” na zona de conforto e outro na zona de tensão.

3. O ponto 3 da jornada do herói é conhecido como “Recusa ao chamado”: aqui muitas vezes resistimos ao chamado porque estamos apegados a certas escolhas, ao passado e à identidade construída. Como uma pessoa que estudou direito na melhor universidade, tem mestrado na área e emprego em um dos melhores escritórios irá deixar tudo isso para trás e seguir um sonho? Ou ainda, frequentemente sabemos o que não queremos mais, mas não sabemos ainda o que queremos. Responder ao chamado, em geral, não é nada fácil. E para nos defender, fingimos não perceber esse chamado, minimizamos sua força, desviamos nossa energia para outros interesses. É comum a pessoa estar insatisfeita com um trabalho e se engajar em um novo projeto dentro dele para “abafar” esse incômodo. Todavia essa estratégia só funciona a curto prazo, nossa essência continua com aquele desejo latente. O perigo aqui é vivermos abaixo do nosso potencial e não nos tornamos quem deveríamos ser. Assim, voltamos para a zona de conforto.

4. O ponto 4 é a “travessia do primeiro limiar”: é uma etapa de ação e cruzamos efetivamente a zona de conforto em direção à zona de tensão. Entramos na zona de tensão com “os dois pés”. Já aceitamos a inevitabilidade da mudança e partimos em busca de respostas para questões que o chamado nos colocou. O importante é que a pessoa procure o novo, aquilo que ela ainda não conhece, ainda não viveu, ainda não experimentou. Aqui, geralmente existe a busca por um processo de Coaching.

5. O ponto 5 é o “encontro com o mestre”: a pessoa percebe que não conseguirá ficar na zona de tensão sozinha e precisa de alguém para apoiá-la. Então, ela continua na zona de tensão, mas com um mentor ao lado. Esse mentor pode ser o Coach, um terapeuta ou alguém que já experimentou o novo caminho que ela quer trilhar. O mestre é uma espécie de modelo, alguém que apoia a jornada e nos motiva a seguir a nossa.

6. O ponto 6 é o “aprendizado”: a pessoa permanece um bom tempo na zona de tensão. É necessário adquirir novos conhecimentos e desaprender antigos para entrar nesse novo mundo. Há muito o que aprender ao longo de uma jornada. A pessoa está aprendendo a lidar com as questões que o chamado lhe trouxe. O aprendizado deve ser buscado ativamente. É a curiosidade de aprender e conhecer o que não se sabe que move a pessoa. Exige tempo, dedicação, esforço e disciplina. Por exemplo, alguém que está há 20 anos na área de direito, terá que se esforçar e dedicar muito para aprender gastronomia e empreendedorismo (se o seu sonho for ser chef do próprio restaurante).

7. O ponto 7 é o “a travessia de novos limiares”: aqui o cliente começa a testar seus limites e colocar o pé, algumas vezes, na zona de pânico. Agora é possível arriscar mais. Talvez seja necessário fazer uma mudança de rumo para que a transformação aconteça (mudar de cidade, trocar de área, mudar de empresa, fazer uma nova graduação e por ai vai). Ou ainda isolar-se a fim de reconectar com sua essência (fazer um sabático, um retiro ou algo mais reflexivo). É aqui que o cliente frequentemente irá ouvir: “Nossa! Mas você vai fazer isso mesmo?”, “Você está louco?” “Como você fará essa transição de carreira?”, “Tem um amigo meu que fez isso e deu tudo errado!” e outras afirmações que podem desencorajá-lo. Aqui, o Coach tem um papel fundamental ao ajudar o cliente a perceber suas forças e talentos e assim avaliar se ele está entrando realmente numa zona de pânico (ainda não tem habilidade e competência para assumir os desafios) ou numa zona de tensão expandida (desafios maiores que podem trazer a sensação de flow por testar habilidades).

8. O ponto 8 é a “situação limite”: aqui o cliente entra na zona de pânico com os dois pés. As dificuldades se intensificam demais. Por exemplo, a pessoa que largou o emprego no escritório de advocacia para seguir a área de gastronomia, passa por um período de aridez financeira e precisa reduzir drasticamente seus gastos e rever estilo de vida. Ou seja, é preciso fazer algum sacrifício para que a transformação ocorra. É um momento “divisor de águas”: antes era assim, agora é outra coisa.

9. O ponto 9 é “bliss/flow”: aqui o cliente não está em nenhuma das zonas. É o pote de ouro no final do arco-íris. É uma experiência de êxtase que traz significado para a vida. É aquilo que nos faz sentir que finalmente encontramos o que buscávamos a vida toda e não sabíamos bem o que era. É como se achássemos a nossa forma de expressão do mundo. É aquilo que a gente sente que nasceu para fazer, como se estivéssemos “em casa”. Não há separação entre a pessoa e seu trabalho.

10. O ponto 10 é “o caminho de volta”: aqui voltamos para a zona de tensão, já que encontramos dificuldades em encontrar um lugar para exercer o que aprendemos na jornada. O caminho de volta nunca é fácil. Depois do êxtase do encontro com a “recompensa”, há que se reaprender a viver a vida cotidiana, porém preservando toda a transformação pessoal que a jornada trouxe. É necessário reconstruir a vida. Há um risco de viver um período de extrema solidão: aqueles que nos rodeavam não nos reconhece mais e ainda não temos novas pessoas afinadas com quem nos tornamos.

11. O ponto 11 é o “ressignificado”: aqui o cliente está com um pé na zona de tensão e outro na zona de conforto. Ele precisa ressignificar sua jornada para voltar para a zona de conforto. Caso não faça isso, ficará preso na zona de tensão o que pode ser cansativo. É uma fase de introspecção e reflexão na busca de uma nova visão sobre si, sobre o outro e sobre o mundo. A opinião dos outros passa a ter muito menos importância do que seguir o que a alma nos pede. Encontramos um novo centro dentro de nós mesmos, paradoxalmente mais humilde diante do grande mistério da vida, porém mais equilibrado. Mais do que “vítimas” do destino, sentimo-nos protagonistas da nossa história.

12. E por fim, o ponto 12 é a “dádiva ao mundo”: aqui estamos na nossa zona de conforto e nos sentimos plenos para compartilhar o que aprendemos com o mundo. Voltamos muito diferentes para a zona de conforto do que quando saímos dela. A dádiva ao mundo é o tesouro que o viajante descobriu e traz para compartilhar com todos. O desafio dessa etapa é construir, no sentido prático, essa dádiva, o “produto” que se vai oferecer aos outros, mas que também expresse a pessoa e sua jornada. E uma das principais dádivas que a pessoa pode oferecer é o fato de ela mesma ter feito a jornada e, por isso, conhecer os caminhos e orientar e inspirar os outros.

Enfim, a jornada do herói nos mostra que o processo de transformação do ser humano é exigente e desafiador. É possível perceber que na essência, a maior parte de nós deseja percorrer esse caminho e, por isso, somos tão parecidos quanto aos nossos desejos mais profundos. Cabe a cada um nós escolher se passaremos a vida toda na etapa 1, presos em nossa zona de conforto ou se nos arriscaremos a percorrer essa jornada de profunda transformação.

E aí? Já identificou em qual etapa você está nessa jornada chamada vida? Compartilhe aqui!

Taynã Malaspina é graduada em Comunicação Social pela ESPM, com mestrado e doutorado em Psicologia Social pela PUC-SP. No mestrado, estudou a relação entre trabalho, felicidade e sentido para jovens. Atualmente faz parte do núcleo de pesquisa do programa de doutorado em Psicologia Social (PUC-SP) e investiga o tema de projeto de vida. Autora do livro “Geração Y e busca de sentido na modernidade líquida e também do livro “O Trabalho contemporâneo no Brasil: desafios e realidades”. Dentro do mundo organizacional atuou na área de marketing de empresas como: Camargo Corrêa, Amanco e Samsung. Sócia-diretora da Oficina da Estratégia, consultoria especializada em pesquisa de mercado e planejamento estratégico. Coach formada pelo Instituto Ecossocial, com certificação ACC pela International Coach Federation (ICF). Formação em Coaching de Conflitos pelo Instituto Trigon – Entwicklungsberatung. Também participou do workshop de Comunicação Não Violenta no Instituto Ecossocial. Professora no curso de graduação em Administração e Recursos Humanos nas disciplinas de Gestão de Pessoas, Psicologia Aplicada, Ética e Qualidade de Vida. Fundadora do Movimento por um Trabalho com Sentido.
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