
Carreira 50+: E se o melhor da jornada ainda estiver por vir?
Outro dia, num café de domingo, uma amiga me disse:
“A gente não envelhece, a gente se aprimora.”
Sorrimos. Não era novidade — era só a confirmação do que estamos vivendo na pele.
Estamos, sim, na era do encontro entre gerações — e nunca foi tão importante considerar o valor das pessoas com mais de 50 anos no mundo do trabalho.
Porque, convenhamos…
Vamos viver muito — e não só em quantidade de anos, mas em qualidade de escolhas.
A longevidade não é apenas um dado demográfico, mas um convite a refletir como queremos viver, trabalhar, contribuir e evoluir ao longo do tempo.
Se vamos ter mais décadas pela frente, que elas então sejam cheias de significado, propósito e movimento.
O que está envelhecendo de fato é a ideia de que só os jovens inovam e só os idosos ensinam.
Chegou a hora de parar de rotular e começar a construir pontes, com troca, respeito e ação.
Não é sobre idade. É sobre legado!
Aos 50+, a carreira deixa de ser uma corrida por velocidade e status — e então se transforma em uma jornada guiada por significado, propósito e escolhas com mais intenção.
Mais do que entregar metas, queremos viver de propósitos. Mais do que cargos, buscamos conexões.
E isso não é fraqueza… é força.
É sabedoria aplicada.
É olhar para o novo sem esquecer a trilha que já foi percorrida — e, melhor ainda, usar essa trilha como um guia para quem está começando agora.
E eu falo com propriedade.
Também sou uma mulher 50+, com frio na barriga diante do novo, sim — mas com ainda mais vontade, curiosidade e determinação.
Essa fase não é sobre se conformar, é sobre se reinventar.
E eu tenho feito isso todos os dias, seja liderando, empreendendo, escrevendo, cruzando caminhos reais e simbólicos, e deixando minha marca tanto em quem caminha ao meu lado quanto naqueles encontros afortunados que atravessam o nosso caminho e… deixam marcas.
Um mercado que (ainda) precisa evoluir
Ainda existem ambientes que enxergam profissionais 50+ como “custos altos”, “desatualizados”, “resistentes” ou até mesmo “velhos demais”.
É curioso como as gerações mais jovens muitas vezes criticam ou subestimam as mais velhas — mal sabem que, no futuro, viverão exatamente o mesmo papel.
Inocentes… ainda não perceberam que o tempo nos proporciona um grande aprendizado.
Nós, 50+, também já fizemos isso com nossos pais e líderes. E, agora, experimentamos o mesmo olhar questionador.
E o ciclo continua… até que alguém decida romper com ele.
A verdade é que a mudança não começa com o mercado.
Começa em nós.
Estamos vivendo mais, aprendendo mais, nos adaptando mais.
E sabemos — porque já vimos na prática — que equipes multigeracionais são mais criativas, produtivas e empáticas.
O que falta não é juventude ou experiência: falta menos preconceito e mais protagonismo.
Falta espaço, voz, oportunidade e decisão.
E isso vale tanto para empresas quanto para cada um de nós, todos os dias.
A potência dos encontros
Recentemente, tive a alegria de realizar uma masterclass sobre LinkedIn para um grupo de profissionais 50+, dentro do Programa de Mentoria Carreira 50+ do Instituto Vasselo Goldoni, do qual tenho imenso orgulho em fazer parte. Foi simplesmente incrível — não apenas pela troca de conhecimento, mas pela energia, pela escuta ativa e pela disposição de cada participante em olhar para o futuro com coragem e curiosidade.
Cada olhar atento, cada pergunta genuína, cada história compartilhada ali reafirma algo que trago comigo todos os dias: existe uma força vibrante, muitas vezes subestimada, em quem escolhe seguir aprendendo, se reinventando e contribuindo, mesmo depois de décadas de estrada.
Foi emocionante ver o brilho nos olhos de quem decidiu continuar sendo protagonista da própria jornada.
Pude sentir que a ideia do “já fiz muito” abre espaço para o “ainda quero fazer tanto” — e isso é profundamente transformador.
E é nesse ponto da jornada que percebemos: aos 50+, temos a licença poética — e a vivência necessária — para nos apropriarmos das nossas conquistas sem culpa, honrar a nossa história sem modéstia e seguir em frente com a dignidade de quem, de fato, sabe de onde veio e escolhe, com consciência, para onde vai.
E eu estava ali também. Não apenas como facilitadora da masterclass, mas como uma mulher 50+ que vive, aprende e compartilha.
Com o pé no acelerador, a mente aberta e o compromisso de deixar marcas positivas tanto em quem caminha ao meu lado quanto naqueles oriundos de encontros afortunados que cruzam meu caminho.
Essa vivência me mostra todos os dias que não se trata de escolher entre o novo ou o experiente — mas de criar espaços onde todos possam crescer juntos.
Agora, imagine esse espírito dentro das organizações.
Imagine um ambiente onde os mais jovens chegam com sede de fazer, e os profissionais 50+ contribuem mostrando o melhor caminho para otimizar energia, priorizar com sabedoria e agir com foco no que de fato importa.
Onde um aprende a falar de inteligência artificial, e o outro ensina, com naturalidade, sobre inteligência emocional.
Onde o aprendizado é horizontal, generoso e colaborativo — como deve ser em um mundo que quer, de fato, evoluir.
O convite que fica
Empresas, líderes, RHs:
Não desperdicem essa geração que aprendeu a digitar em máquina de escrever e hoje explora o potencial da inteligência artificial com curiosidade e estratégia.
Que começou a carreira fazendo curso de datilografia e hoje lidera conversas sobre futuro do trabalho, soft skills e transformação digital.
Que já fez chamadas em ramais, mas hoje coordena projetos híbridos com times espalhados pelo mundo.
E que domina a arte da escuta, do equilíbrio e da visão sistêmica — tudo isso com os dois pés no presente.
Não subestimem quem pode ser mentor, conselheiro, referência.
Profissionais 50+ têm muito mais valor do que as empresas pensam e eles próprios imaginam.
São eles que, muitas vezes, colocam a bola no chão quando tudo parece acelerar demais. Têm bagagem, leitura de cenário, repertório emocional e, além disso, uma habilidade valiosa de transformar experiência em direção e ação. Não para competir com o novo, mas para completar, colaborar, construir. E isso, por si só, é um ativo estratégico que nenhuma tecnologia substitui.
Pessoas 50+ não são um capítulo encerrado.
São livros abertos, prontos para novos capítulos — só precisam de um espaço, de uma oportunidade para continuar escrevendo com propósito e impacto.
E pra você, que está chegando ou já passou dos 50:
Que tal assumir que ainda dá tempo?
Tempo de recomeçar, ensinar, aprender, inspirar.
Tempo de fazer diferente. E fazer com mais sentido.
O seu valor não está na idade, mas na coragem de se manter em movimento.
Porque, no final das contas, como um bom café passado na hora, o que a gente traz com o tempo é aroma, sabor e presença.
Pra pensar com carinho (e ação)
Se a vida profissional é uma jornada, que tal parar por um instante e olhar para quem está, de fato, caminhando ao seu lado?
Será que está abrindo espaço para o novo e para a experiência?
- O futuro do trabalho não é jovem.
- O futuro do trabalho não é sênior.
- O futuro do trabalho é intergeracional.
E ele começa quando construímos, juntos, ambientes onde todos possam aprender, contribuir e crescer.
Então, meu convite é simples:
Valorize quem veio antes. Compartilhe com quem caminha ao lado. Aprenda com todas as gerações.
E se for preciso, recomece — com coragem e intenção.
Porque a carreira não tem prazo de validade — é uma jornada contínua, com novos começos sempre à disposição de quem escolhe seguir em movimento.
E o melhor momento para ativar isso… é agora.
Compartilhe suas impressões conosco e continue essa conversa no próximo Café com Sassá! ☕
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Quer saber mais como a diversidade geracional pode ser um diferencial estratégico para as empresas? Então, entre em contato comigo. Terei o maior prazer em responder.
Salete Deon
Especialista em Gestão de Carreira e Desenvolvimento de Lideranças, Segurança Psicológica de Times pelo IISP, Coach Executiva, Palestrante, Top Voice Linkedin
https://www.linkedin.com/in/salete-deon/
salete@deonconsulting.com.br
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