Quero começar esse artigo fazendo uma pergunta:
Vivendo a disruptura do século XX para o século XXI, com a velocidade com que as mudanças estão ocorrendo, e exigindo cada vez mais uma atitude de forma nova de pensar, o que você faria se tivesse que reinventar você hoje?
Tenho pensado muito nisso ultimamente, e comecei a estudar o pensamento humano há muito tempo, e hoje percebo que o maior medo do ser humano é o medo do futuro, incrível falar sobre isso.
Por isso, estou vendo e vivenciando, como nunca se falou tanto do processo de Coaching como agora. Estão falando até em criminalização do Coaching, isto por quê?
Porque o Coaching trata de futuro. E o ser humano quer mudar, quer pensar no futuro, mas o medo é maior e isso cria a resistência e paralisia para mudanças, e quando se fala em mudança, ela começa no presente para atingir um futuro, que como dizia Peter Drucker, “fica a dois minutos à nossa frente.”
Leio muito um escritor que admiro sua forma de pensar, seus livros são atemporais, e quando ele escreveu sua obra “A Terceira Onda” de 1980, isso ficou bem claro: “Duas imagens do futuro aparentemente contrastantes prendem hoje a imaginação popular.
A maioria das pessoas, até ao ponto em que se importa de algum modo com o futuro, toma como certo que o mundo que eles conhecem durará indefinidamente. Acham difícil imaginar um modo de vida verdadeiramente diferente para eles, quanto mais uma civilização totalmente nova. Naturalmente, reconhecem que as coisas estão mudando. Mas acham que as mudanças de hoje passarão de algum modo e nada abalará a estrutura econômica familiar e a estrutura política. Esperam confiantes que o Futuro continua o presente.”
Isso foi escrito em 1980, e o que mudou no pensamento humano atual?
Nada, continuamos com a mesma forma de pensar. Por isso o futuro dá medo às pessoas, e preferimos deixar ele acontecer do que moldar nosso futuro, e ainda temos a coragem de dizer, ” que o futuro pertence a Deus”. Que ironia!
Alguns poucos que fizeram isso estão à frente de nosso tempo.
Continuando a refletir no que ele escreveu: “Este pensamento em linha reta vem em várias embalagens. Num nível aparece com uma pressuposição não examinada, por trás das decisões de negociantes, professores, pais e políticos. Num nível mais sofisticado vem sob a forma de estatística, dados de computador e jargão de previsores. De qualquer modo, isto leva a uma visão de um mundo futuro que é essencialmente ‘mais do mesmo’, o linguajar do industrialismo da Segunda Onda ainda maior e mais difundida através deste planeta.
Eventos recentes têm abalado seriamente esta imagem confiante do futuro. Enquanto crise após crise tem crepitado através dos cabeçalhos, enquanto o Irã entrava em erupção, enquanto Mao era desendeusado, enquanto os preços do petróleo subiam vertiginosamente e a inflação se desencadeava, enquanto o terrorismo se difundia e os governos pareciam impotentes para detê-lo, uma visão mais desolada se tornava cada vez mais popular. Assim grande número de pessoas, alimentadas por uma dieta constante de más notícias, filmes de desastres, contos bíblicos apocalípticos e cenários oferecidos por prestigiosos bancos de pensamento, parece ter concluído que a sociedade de hoje não pode ser projetada no futuro, porque não há futuro. Para eles o Armagedom, a grande batalha final, está apenas a poucos minutos de distância. A Terra corre para seu derradeiro abalo cataclísmico.
Na superfície, estas duas visões parecem muito diferentes, entretanto, ambas produzem efeitos psicológicos e políticos semelhantes. Pois ambos levam à paralisia da imaginação e da vontade.
Se a sociedade de amanhã for simplesmente uma versão ampliada de Cinerama do presente, precisaremos pouco para nos prepararmos para ela. Se, por outro lado, a sociedade estiver inevitavelmente destinada a se destruir dentro do período das nossas vidas, não há nada que possamos fazer a respeito. Em resumo, ambas estas maneiras de olhar o futuro geram isoladamente a passividade. Ambas nos congelam em inação.”
Será que não estamos vivendo isso agora?
O filme do medo do futuro ficou apenas mais tecnológico, mas o medo do futuro continua.
Espero que um dia a Psicologia, a Antropologia, a Medicina, a Filosofia, possa entender e nos ajudar a perder o medo do futuro, e no presente fazer o que precisa para atingir o futuro que emerge em nossas vidas.
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